Buer. Um nome que surge envolto em ecos de tempos remotos, pronunciado por magos e alquimistas que buscavam sabedoria além dos limites da carne e do espírito.

Nos registros da Ars Goetia, o primeiro livro da Lesser Key of Solomon, ele aparece como o décimo espírito infernal, um presidente poderoso do Inferno, que se manifesta sob a forma de um leão com cinco pernas girando em círculo, semelhante à roda cósmica da criação e destruição.

Mas quem é, de fato, Buer? Um demônio de cura? Um filósofo celeste caído? Ou uma metáfora antiga do poder que habita na união entre mente, corpo e espírito?

Nas páginas do bandoleiro.com, onde o mistério é tratado com reverência e fascínio, Buer se revela como uma das entidades mais paradoxais da Goetia — simultaneamente médico e guardião do abismo, mestre da razão e espírito da transformação.

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Buer – O Guardião da Cura e do Saber Infernal

Buer: O Mestre das Leis Naturais

De acordo com The Lesser Key of Solomon, traduzida e comentada por S. L. Mathers e Aleister Crowley, Buer é um espírito que ensina filosofia moral e natural, além de curar todas as doenças do homem. Ele compreende os segredos das ervas, das pedras e dos metais, e concede ao magista o conhecimento necessário para aliviar a dor e restaurar o equilíbrio do corpo e da alma.

Em sua forma simbólica, Buer representa o arquétipo do curador espiritual, aquele que transita entre a luz e a sombra em busca de harmonia. Ele não destrói — transforma.
No ocultismo tradicional, sua energia é invocada em rituais de aprendizado, purificação e reconciliação interior. Buer ensina que a sabedoria sem equilíbrio é veneno, e a cura sem compreensão é ilusão.

O Leão Circular e o Mistério da Forma

A descrição de Buer como um leão que gira sobre cinco pernas desperta interpretações profundas.
O número cinco, na simbologia alquímica, representa o quinto elemento — o espírito, que une os quatro elementos da matéria. Assim, Buer pode ser visto como a encarnação da quintessência, a força invisível que dá vida e movimento ao cosmos.

Seu corpo giratório sugere o eterno ciclo da criação, um símbolo da medicina espiritual que reconhece a constante transformação da energia.
Para os magos herméticos, o movimento circular de Buer é o dançar do cosmos, a roda do destino, girando entre as dimensões da cura e da sabedoria oculta.

Buer e a Filosofia da Alma: O Mestre do Pensamento Moral

Buer não é apenas um curador do corpo, mas também um instrutor da mente.
Os grimórios antigos afirmam que ele ensina filosofia moral, o que o coloca em um lugar único entre as entidades goéticas. Ele não oferece apenas poder — oferece discernimento.
Para aqueles que o buscam com sinceridade, Buer revela a verdade oculta nas intenções humanas: a moralidade não é ditada por dogmas, mas pelo equilíbrio entre o desejo e a razão.

Na visão de Buer, segundo estudiosos da Goetia como Stephen Skinner (The Goetia of Dr. Rudd, 2007), a verdadeira cura ocorre quando o espírito encontra sentido no próprio sofrimento.
A dor, portanto, não é punição, mas uma passagem. E o conhecimento, quando usado com sabedoria, é o bálsamo que purifica o ser.

O Caminho Filosófico da Cura

Em muitas tradições esotéricas, Buer é invocado não para curar o corpo físico, mas para revelar a causa espiritual da enfermidade.
Assim como os antigos filósofos gregos acreditavam na união entre mente e corpo, Buer representa a ponte entre a ciência e o espírito — a medicina e o misticismo.

O mago que o invoca deve compreender que toda cura começa pela compreensão da própria alma, e que as doenças são, em essência, mensagens do invisível.
No simbolismo ocultista, Buer ensina que o remédio supremo é o autoconhecimento.

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Alquimia, Ervas e Luz Interior – O Curador das Sete Virtudes

As Artes de Buer: Alquimia, Ervas e Luz Interior – O Curador das Sete Virtudes

A tradição esotérica associa Buer ao domínio sobre as virtudes ocultas das plantas e minerais.
Ele conhece os segredos da transmutação alquímica e guia o magista a compreender a relação entre a natureza e o espírito.
Diz-se que aquele que invoca Buer com reverência pode ser conduzido à sabedoria médica dos antigos, aprendendo a manipular a energia vital — o prana, o sopro divino — para restaurar o equilíbrio.

Na filosofia hermética, cada planta possui uma alma, uma centelha de consciência. Buer, como guardião da cura, ensina o iniciado a dialogar com essas forças, decifrando o idioma silencioso da natureza.

Mais do que um espírito demoníaco, Buer é o símbolo da iluminação que nasce da dor.
Sua presença, segundo relatos de magos do século XVII, manifesta-se através de uma brisa cálida e um som grave, como o rolar distante de rodas antigas.
Ele traz a compreensão de que a verdadeira cura é despertar para a unidade de todas as coisas.

Assim, o trabalho com Buer não é apenas uma busca por saúde, mas uma iniciação interior — um processo de reconciliação com o próprio destino.

O Simbolismo Alquímico de Buer: A Roda da Vida e da Morte

A imagem de Buer como uma roda viva é uma das mais profundas da Goetia.
Ela representa o ciclo incessante da existência — nascimento, crescimento, decadência e renascimento.
Cada volta da roda é uma lição, e cada lição, um passo rumo à verdadeira sabedoria.

Na alquimia espiritual, a roda simboliza o movimento da alma em busca da perfeição, a eterna jornada do espírito que, ao cair, aprende a se elevar.
Assim, Buer se torna o guardião do movimento, o mestre do equilíbrio entre caos e ordem.

Entre o Inferno e o Céu Interior

Buer não habita apenas as regiões infernais — ele também habita o interior do ser humano, onde o conflito entre luz e sombra é travado diariamente.
Ele é o eco da consciência, a voz que sussurra quando o ego tenta dominar o espírito.
Aqueles que o compreendem descobrem que o inferno e o paraíso não são lugares, mas estados da alma.

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O Guardião do Bosque Sombrio e a Ciência das Ervas que Sangram

O Guardião do Bosque Sombrio e a Ciência das Ervas que Sangram

Imagine invocar um espírito e, em vez de uma figura reconhecível, deparar-se com um portal giratório de pura energia geométrica. Essa é a apresentação inicial de Buer. Ele é a lei e a estrutura por trás da natureza, antes de ser a natureza mesma.

Sua forma de arco fala de pontes, de transições entre estados de ser, enquanto a estrela afirma seu domínio sobre a matéria primordial. Este não é um ser de caos desgovernado, mas de um caos ordenado, um sistema vivo e pulsante que obedece a regras além da nossa compreensão linear.

“Buer, um grande presidente, aparece na forma de uma estrela com cinco raios.” – Pseudomonarchia Daemonum, Johann Weyer.

Esta visão etérea, no entanto, não é a única. Outras tradições, e talvez visões mais profundas, concedem uma imagem ainda mais complexa. Ele é descrito como possuindo a cabeça de um leão, cercada por cinco pernas de bode que se movem em todas as direções com fluência sobrenatural, permitindo-lhe rodopiar sobre si mesmo sem nunca perder o equilíbrio.

Esta é a face terrestre de Buer: o leão, símbolo de força solar e regência, fundido com a natureza caprina, ligada a Pan, à fertilidade terrena e aos instintos mais profundos. Sua mobilidade omnidirecional simboliza sua capacidade de operar em todas as esferas da existência simultaneamente – do mais alto conceito filosófico à mais baixa raiz medicinal.

O Paradoxo da Cura: O Alquimista do Corpo e da Alma

Eis onde a natureza de Buer se torna fascinantemente contraditória. Por que uma entidade de aparência tão terrível seria associada, acima de tudo, aos dons da cura? A Ars Goetia é clara: Buer ensina “Filosofia Natural e Moral, e a arte da Lógica”. Mais importante ainda, ele conhece as virtudes das ervas e plantas, concedendo aos homens a knowledge para curar todas as doenças, especialmente as que manifestam no corpo físico.

O Herbário das Sombras: Quando as Plantas Sussurram Segredos

O conhecimento de Buer não é o de um médico moderno em um hospital esterilizado. É o conhecimento do xamã que entende que a doença é um desequilíbrio espiritual que se manifesta no corpo. Suas ervas podem ser aquelas que crescem em solos encharcados de lua, colhidas sob determinados planetas, preparadas com cantos que são, na verdade, fórmulas de energia.

Ele é o patrono do herbalista oculto, daquele que sabe que a mesma planta que pode salvar uma vida, em outra dosagem ou intenção, pode levar à loucura ou à morte. A cura que Buer oferece não é um conforto suave; é uma reintegração violenta e verdadeira com as leis, por vezes cruéis, da natureza.

Trabalhar com Buer para a cura é, portanto, um ato de profunda coragem. É aceitar que para se regenerar, partes doentes do ser – sejam físicas, emocionais ou espirituais – devem primeiro ser reconhecidas, confrontadas e, simbolicamente, podadas. Ele não oferece um analgésico para a dor da existência; ele oferece o bisturi da verdade filosófica e o antídoto da sabedoria natural.

E o que significa ele ensinar “Filosofia Moral”? Em um contexto goético, isso não se refere a um código de conduta piedoso. É a filosofia da natureza em ação, a moralidade do leão que caça para viver. É a compreensão das leis de causa e efeito no mundo material e espiritual. Buer não julga o bem e o mal conforme os padrões humanos; ele ensina as consequências. Ele mostra como a ação gera reação, como a doença é, em última análise, um professor e como a saúde é um estado de equilíbrio dinâmico e não de pureza estática.

O Conhecimento Verde e a Relação com o Invocador

Como todos os espíritos goéticos, a relação com Buer é uma transação. Sua aparência já é um filtro, afastando os curiosos e os fracos de coração. Aquele que o invoca deve estar preparado para ver além da forma e conectar-se com o princípio que ele representa. O mago deve buscar não apenas um remédio para uma doença específica, mas uma compreensão mais profunda da própria natureza da saúde e da doença.

O pacto com Buer pode exigir um compromisso com o mundo natural de uma forma quase extrema. O invocador pode se encontrar compelido a estudar botânica com uma profundidade obsessiva, a passar tempo em florestas e lugares selvagens, ou a confrontar as “doenças” de sua própria alma – seus vícios, seus medos, seus desequilíbrios morais – como pré-requisito para curar o corpo físico. A cura concedida por Buer é holística e, por isso, potencialmente disruptiva para uma vida confortável e ignorante.

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O Arquétipo do Curandeiro Sombrio
O Arquétipo do Curandeiro Sombrio

Diferente de outros espíritos como Paimon ou Baphomet, Buer permaneceu relativamente nas sombras da cultura popular. Sua influência, no entanto, é percebida no arquétipo do “médico-feiticeiro” ou do “cientista louco” que busca o elixir da vida, não importando o custo. Ele é a energia por trás do herbalista que vagueia pela floresta à meia-noite, colhendo ingredientes para poções que podem salvar ou amaldiçoar. Ele representa a faixa liminar onde o conhecimento medicinal e o oculto se fundem, recusando-se a ser separados pela ciência moderna.

No bandoleiro.com, entendemos que explorar Buer é aceitar que o caminho para a genuína cura e autoconhecimento nem sempre é iluminado pela luz suave do dia. Às vezes, ele brilha com a luz fosforescente de cogumelos em troncos apodrecidos, ou com o brilho astral da estrela de cinco pontas girando no escuro.

O Bosque Sussurra…

Ao nos afastarmos da clareira onde Buer reside, sua forma estelar e leonina se fundindo de volta às sombras da floresta primordial, uma reflexão final nos persegue. Nossa sociedade busca a cura em comprimidos brancos e diagnósticos rápidos, divorciando o sintoma da causa, o corpo da alma. Buer, com seu corpo geométrico e seu conhecimento das ervas que sangram, nos confronta com uma verdade mais sombria e mais integral.

Será que a verdadeira cura – seja de uma doença, de um trauma ou da própria sociedade – exige que nos voltemos para as sombras que temos evitado? Que adentremos o bosque proibido do nosso próprio ser, com suas feras internas e suas plantas venenosas, para encontrar, no centro desse labirinto, a estrela de cinco pontas que representa o equilíbrio absoluto? O conhecimento de Buer está disponível, mas ele pede em troca a coragem de enxergar a doença não como um inimigo a ser exterminado, mas como um mensageiro a ser decifrado. Você está disposto a ler a mensagem?

Entre Ervas e Estrelas: O Dom da Cura Oculta

Uma das características mais fascinantes de Buer é sua ligação íntima com a fitoterapia e a medicina natural. Diz-se que ele ensina ao mago o uso correto das ervas, revela segredos botânicos esquecidos e até orienta sobre a preparação de poções curativas. Mas sua cura vai além do físico: ele também restaura a mente e o espírito, dissipando tristezas, ansiedades e bloqueios energéticos.

Essa faceta o aproxima de tradições como a magia celta, a medicina xamânica e até certas correntes da alquimia espiritual, onde a cura é vista como um ato de alinhamento cósmico. Curiosamente, Buer também é associado à lógica, à filosofia e à moral — qualidades raras entre os espíritos goéticos, que costumam ser retratados como sedutores ou destruidores.

Isso levanta uma pergunta intrigante: por que um espírito do “inferno” ensinaria ética e cura? Talvez porque, na visão hermética antiga, o inferno não era um lugar de punição, mas um reino de transformação — e Buer, mais que um demônio, é um guia nesse processo.

O Ritual do Chamado: Como Invocar Buer  | imagem gerada por IA | by bandoleiro.com
O Ritual do Chamado: Como Invocar Buer

O Ritual do Chamado: Como Invocar Buer

Invocar Buer exige mais do que palavras e símbolos. Requer pureza de intenção. A tradição goética recomenda que o mago esteja em estado de jejum parcial, tenha realizado banhos de purificação com ervas como alecrim e arruda, e tenha traçado o pentáculo apropriado — muitas vezes associado ao planeta Júpiter, regente da expansão, da sabedoria e da justiça.

O momento ideal para o ritual é o nascer do sol de uma quinta-feira, dia consagrado a Júpiter. Incensos de sândalo, mirra ou cedro são frequentemente usados para atrair sua presença. Durante a conjuração, o invocador deve manter clara sua intenção: não buscar cura apenas para si, mas compreender a cura como um ato sagrado de equilíbrio universal.

Relatos modernos de praticantes de magia cerimonial descrevem sensações de calor suave, aromas de florestas antigas e uma presença calma, quase paternal. Nada do terror associado a outras entidades goéticas. Buer não assusta — ele observa. E só responde quando sente que o chamado é genuíno.

Este rito pertence aos tempos em que o saber não era conforto,
mas provação.

Buer é descrito nos grimórios antigos como Presidente das Legiões,
manifestando-se em forma circular, caminhando como roda viva.

Ele não concede favores fúteis. Ele ensina:

  • a arte das ervas,
  • a cura e a ruína,
  • a lógica que corta ilusões,
  • a verdade que desagrada.

Invocar Buer é pedir clareza cruel.

Advertência do Grimório:

Quem chama por Buer não deve buscar consolo.
Ele ensina retirando, não oferecendo.

Este rito não deve ser realizado por curiosidade, mas por quem aceita perder certezas.

Tempo:

  • Lua minguante ou noite sem lua
  • Após a meia-noite

Local:

  • Espaço silencioso
  • Chão de terra, pedra ou madeira bruta

Elementos necessários:

  • 1 vela preta
  • 1 vela verde-escura
  • Um recipiente com terra
  • Um punhado de ervas secas (qualquer uma, desde que colhida conscientemente)
  • Um símbolo circular desenhado à mão (não geométrico perfeito)
O Círculo de Presença

O círculo não é proteção, é convite.

Desenhe-o de forma irregular.
Dentro dele, trace uma roda, não um selo.

Coloque:

  • a vela preta ao norte
  • a vela verde ao sul
  • a terra ao centro

Sente-se fora do círculo, nunca dentro.

A Abertura do Chamado

Acenda primeiro a vela preta e diga em voz baixa:

Não chamo pelo domínio,
chamo pelo saber que fere.

Acenda a vela verde:

Não busco cura doce,
mas a raiz amarga da verdade.

Coloque as ervas sobre a terra.

A Invocação de Buer

Respire fundo três vezes.
Na terceira, diga lentamente:

“BUER.”

Espere alguns segundos.
Então continue:

Tu que andas em círculos,
tu que não te ocultas em formas belas,
Presidente do saber que não consola,

não te chamo para servir,
mas para ensinar.

Retira de mim o que mente,
quebra o que é ilusão,
e deixa apenas o que resiste ao fogo.

Silêncio total por alguns minutos.

Se pensamentos incômodos surgirem, não lute contra eles.

O Sinal de Presença

Nos textos antigos, Buer não se manifesta com visões, mas com:

  • ideias súbitas e desconfortáveis
  • lembranças esquecidas
  • sensação de movimento circular
  • clareza fria

Esse é o ensino.

Encerramento do Rito

Diga:

O que veio, veio.
O que foi mostrado, fica.
Não retenho, não imploro.

Apague as velas com os dedos ou abafando, nunca soprando.

As ervas e a terra devem ser devolvidas à natureza no dia seguinte.

Nota Final do Grimório

Buer não acompanha.
Ele aponta e parte.

Se nada aconteceu, considere isso um ensinamento.

Os Riscos da Cura Mal Direcionada

Apesar de sua natureza benéfica, trabalhar com Buer não está isento de perigos. A cura, quando mal compreendida, pode se tornar fuga. Alguns iniciantes, ao receberem ensinamentos sobre ervas ou energias, caem na ilusão de que podem controlar a vida ou evitar o sofrimento — esquecendo que o sofrimento, muitas vezes, é o crisol da transformação.

Além disso, Buer exige responsabilidade. Quem aprende com ele não pode usar esse conhecimento para manipular ou lucrar de forma desonesta. Diz-se que, se traído, ele retira seus dons tão rapidamente quanto os concedeu — deixando o mago mais doente do que antes.

Por isso, a relação com Buer deve ser de parceria, não de servidão. Ele não é um gênio da lâmpada, mas um mestre que só ensina a quem demonstra humildade, disciplina e respeito pela vida.

Buer no Ocultismo Moderno: Entre a Razão e o Mistério

Embora menos conhecido que Lúcifer, Belial ou até Paimon, Buer tem ganhado atenção renovada entre os ocultistas contemporâneos, especialmente aqueles voltados à magia verde, à cura energética e à ecologia espiritual. Sua figura ressoa em um tempo em que a humanidade busca formas alternativas de saúde, conexão com a natureza e sabedoria ancestral.

Alguns estudiosos, como o historiador da magia Joseph H. Peterson, destacam que Buer pode ter raízes pré-cristãs, talvez ligadas a deuses da cura como Esculápio ou até a entidades celtas ligadas às fontes sagradas. Sua forma de leão também lembra Sekhmet, a deusa egípcia da cura e da destruição — lembrando que, em muitas tradições, curar e destruir são faces da mesma força transformadora.

Estudiosos modernos, como Lon Milo DuQuette, apontam que muitas entidades goéticas são máscaras simbólicas das potências interiores da mente humana. Nessa visão, Buer é a manifestação da consciência médica e filosófica — o aspecto do ser que busca harmonizar o intelecto e o espírito.

No blog bandoleiro.com, exploradores do desconhecido reconhecem em Buer uma metáfora viva da inteligência que desafia os dogmas — uma força que convida o ser humano a estudar, questionar e compreender a própria essência do divino e do profano.

Buer e a Magia Cotidiana: Um Convite à Sabedoria Ancestral

Você não precisa traçar círculos mágicos para sentir a presença de Buer. Ele habita os jardins silenciosos, os bosques ao amanhecer, as infusões de camomila feitas com intenção. Na visão do bandoleiro.com, a magia verdadeira está nos gestos simples que honram a terra e o corpo.

Plantar uma erva com gratidão, preparar um chá para acalmar a mente, observar o movimento das estrelas — tudo isso pode ser um diálogo com forças como Buer, mesmo que seu nome não seja pronunciado. Ele é a voz sutil que nos lembra: a cura começa quando paramos de lutar contra a natureza e começamos a ouvi-la.

Buer – O Guardião da Cura e do Saber Infernal | imagem gerada por IA | by bandoleiro.com
Buer – O Guardião da Cura e do Saber Infernal

Conclusão: A Cura que Transforma o Invocador

No fim, Buer não é apenas um espírito que cura — ele é um espelho. Ele revela não o que você deseja ser curado, mas o que você precisa enfrentar para se curar. Sua sabedoria não está em poções ou palavras mágicas, mas na coragem de olhar para dentro com honestidade.

Aqueles que caminham pelo labirinto do oculto e ousam invocar Buer descobrem que a verdadeira cura não vem de fora, mas do reencontro com o próprio poder interior.
Ele ensina que a luz e a sombra são irmãs gêmeas, e que somente aquele que as aceita pode compreender o sentido da existência.

E talvez essa seja a verdadeira magia que ele oferece: não a ausência de dor, mas a presença plena da vida em todos os seus matizes.

Então, diante desse leão de cinco patas que caminha entre as estrelas e as raízes, resta uma pergunta que ecoa nas sombras:
Você busca cura… ou apenas alívio?

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Fontes consultadas:

  • The Lesser Key of Solomon – Ars Goetia (S. L. Mathers & Aleister Crowley, 1904)
  • Pseudomonarchia Daemonum – Johann Weyer, 1577
  • The Goetia of Dr. Rudd – Stephen Skinner & David Rankine, 2007
  • The Dictionary of Demons – Michelle Belanger, 2010
  • The Magus – Francis Barrett, 1801
Sobre o autor

Pesquisador e escritor independente, o criador do Bandoleiro.com é um andarilho dos mistérios, dedicado a revelar saberes esquecidos e tradições ocultas.

O livro Todas as Vezes que Olhei pro Horizonte convida você a uma jornada repleta de mistérios e aventuras pelo sertão central cearense. Com uma escrita poética e cativante, JT Ferreira mescla contos enigmáticos, lendas e memórias que transportam o leitor a lugares e sensações únicas. 

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